Mudanças estruturais na economia e seus impactos para o seguro

Mudanças estruturais na economia e seus impactos para o seguro

A implementação gradual (da reforma tributária) deve ocorrer até 2033, exigindo adaptações relevantes em processos, tecnologia e gestão.

Por: Dyogo Oliveira

Com uma das maiores frotas de caminhões do mundo e forte dependência do modal rodoviário, o Brasil enfrenta o desafio de equilibrar eficiência logística e gestão de riscos em um território marcado por desigualdades de infraestrutura. A renovação da frota e as mudanças no perfil das operações começam a redesenhar o mapa do risco logístico no País, com impactos diretos sobre a sinistralidade e o mercado segurador. A matéria de capa desta edição mostra que reguladores e seguradoras apostam na combinação de tecnologia, melhoria de estradas e modernização dos veículos para tornar o transporte mais seguro e eficiente.

Nesse contexto de transformação, a geração de energia a partir do lixo urbano — conhecida como reciclagem energética ou waste-to-energy (WtE) — ganha espaço no debate sobre sustentabilidade e infraestrutura. A decomposição de resíduos orgânicos produz metano, que pode ser capturado e transformado em eletricidade ou combustível. Apesar do potencial ambiental e econômico, a expansão do modelo ainda enfrenta entraves tecnológicos, regulatórios e financeiros. A reportagem analisa os desafios e as oportunidades desse mercado emergente.

 

No campo econômico, outra mudança estrutural já começa a produzir efeitos no mercado segurador: a reforma tributária. Neste ano, terá início o período de transição para o novo modelo baseado no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). É uma transformação profunda, que impactará a forma como as seguradoras recolhem tributos, definem preços e estruturam suas rotinas fiscais e operacionais. A implementação gradual deve ocorrer até 2033, exigindo adaptações relevantes em processos, tecnologia e gestão tributária.

 

Enquanto isso, o chamado “Custo Brasil” segue como um dos principais entraves à competitividade. Estimado em R$ 1,7 trilhão por ano, o valor supera a média das economias da OCDE. O Observatório do Custo Brasil, iniciativa do MDIC e do Movimento Brasil Competitivo, estabeleceu a meta de reduzir esse peso em quase um terço até 2035 — o equivalente a aproximadamente R$ 530 bilhões anuais. Parte desse montante está associada a gargalos de infraestrutura, especialmente em energia, telecomunicações, transportes e mobilidade, com impacto estimado em R$ 284 bilhões.

 

Esse ambiente de custos elevados ajuda a explicar as dificuldades para ampliar a proteção securitária na base da pirâmide social. Em entrevista exclusiva, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, analisa como a pressão constante sobre o orçamento das famílias de baixa renda influencia suas decisões. Entre responder às urgências do presente e se preparar para o futuro, a proteção de longo prazo muitas vezes acaba ficando em segundo plano, mesmo quando reconhecida como necessária.

 

Completam a edição temas como os desafios de tarifação dos veículos eletrificados e o papel do seguro na gestão de riscos em obras de engenharia.

 

Boa leitura!